Aviso!

Para os que ainda não sabem este blogue é gerido por um ultra vimaranense... não escondo as minhas cores... escrevo como vitoriano que sou, mas este é um blogue para todos os ultras portugueses... seja qual for a cor, sejam rivais ou não... aqui não faltará a cobertura dentro do possível do movimento ultra nacional mas também internacional... com a vossa ajuda será mais fácil manter isto vivo!
Sigam o blogue também no facebook para receberem com mais facilidade os novos posts. http://www.facebook.com/pages/Ultra-um-modo-de-vida/133024220078089

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Entrevista a um membro da Força Avense

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhOtBe1v9hExkkmQPgsECp0RLuZsIv3EwuwJoEJJaFpntuFTiQRnEWqZpEqZIIs7u2TofAEAwaTp54Pyi4qNMuA6nvYlKaq2DtwqXfT8Hf5YDw8UNAGyCMTqRJlPV8Cp7mxQd8eKh92KenN/s1600/DSC_5740.JPG

Depois das entrevistas aos elementos da Alma Salgueirista e South Side Boys decidi voltar a entrevistar um ultra de um grupo português. Desta vez foi da Força Avense.
Aproveito mais uma vez para agradecer o facto de o ultra avense ter aceitado responder a esta entrevista, onde podem ficar a conhecer melhor a claque do Aves, ficaram também algumas coisas esclarecidas sobre o grupo e ainda houve tempo para o avense dar a sua opinião sobre alguns temas ligados ao movimento ultra...

Aqui fica a entrevista:

Acompanhas o teu clube enquanto membro da Força Avense há quanto tempo? Que recordações tens dos teus primeiros jogos na curva? O que te levou a entrar para a claque?
Sempre tive uma admiração enorme por multidões ligadas ao futebol, quando era novo sabia o que era uma claque mas não fazia muita distinção dos restantes adeptos, portanto tudo o que envolvesse ruído á volta de um jogo de futebol fascinava-me. Acompanho desde a época 1998/1999, na altura a claque começou por se chamar “Os Avenses”, depois “Ultra Avenses”, e só depois Força Avense. A memória que tenho é que era tudo muito puro, não ligava puto ao futebol jogado nem a posturas nem a nada, o que interessava era estar ali junto das faixas e cantar e apoiar como podia. Fazia parte de um grupo de amigos que jogava nos escalões de formação do Aves e ia ver os jogos que podia quer em casa como fora, e um dia alguém se lembrou de fazer uma claque e eu alinhei.

Aproximadamente quantos membros têm actualmente?
A Força Avense não funciona com associados directos á claque, todos são sócios do clube, portanto não haverá um número ao certo. Mas fazendo uma estimativa andará entre os 100 e os 150. Nos jogos em casa a média andará entre os 70 elementos, há jogos com mais outros com menos. Então jogos ao domingo de manhã são um problema! Nas deslocações, a média ronda os 40 elementos, o objectivo passa esta época em levar pelo menos um autocarro cheio a todo o lado, já o conseguimos na primeira deslocação a Belém, vamos ver os próximos capítulos.

Olhando para trás, que diferenças encontras no vosso grupo? Houve evolução? As coisas já estiveram melhores? Como avalias o actual momento da Força Avense?
Fico contente por restar ainda uma boa malta dos inícios, houve claramente uma evolução, e tem havido principalmente nos últimos anos uma contínua evolução, não tem existido estagnação. Tem-se conseguido atrair malta jovem, a estrutura tem-se mantido com grande parte dos princípios da claque, e temos conseguido construir algumas bases fortes para o futuro. Nós somos uma claque que sempre esteve habituada a estar na II Liga por isso quando se regista uma descida os de sempre mantêm-se. As coisas estão bem, há um bom espírito de amizade e entreajuda, claro que existem problemas mas conseguem ser sempre sanados.

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi9yFJcWtJRvRQGvScIcBXKT9h0pSgze3kX_K1HDc3WgaB1ybDvvB3qYxz_75dfHYOhNyvvMphXvObln9K16_7Sfa6iDOSPoh4lm2heWUrLUeAQAkQ_EPO-3XMIJWmwjWbWBb166PsZdLkk/s1600/1270383402_s6004967.jpg

Que características destacas no teu grupo?
A amizade e companheirismo serão talvez as características mais predominantes no seio da claque. Todos se conhecem, fazendo com que se registem sempre bons ambientes. Portanto a união será o ponto mais forte do grupo.

O vosso grupo é conhecido por ser composto praticamente só por malta jovem… não achas que faz falta alguma velha guarda à Força Avense?
Eu acho que um velha guarda é aquele que já faz parte de uma curva há anos, e não tem a nada a ver com a idade. Eu tenho 25 anos, não sou velho mas também já n sou nenhum puto, mas só o facto de pertencer á claque há já 12 anos, acho que já me posso considerar um velha guarda. E não, a Força Avense não é composta maioritariamente por putos, como disse anteriormente há um bom grupo dos inícios e alguma malta já mais velha. Agora que há um bom grupo jovem há, e ainda bem que assim o é, e continue a ser, é sinal de progresso, de transmissão de ideais e da defesa do símbolo. Eu com 25 anos bem como outros companheiros já comemos muito mais alcatrão que ultras com 30 ou 40 anos de idade de muitas curvas em Portugal!

Como caracterizas a vossa relação com a direcção do clube? Como vos vêm os restantes adeptos do Aves?
A relação com o clube sempre foi a melhor, nunca houve grandes problemas, excepto numa questão ou outra especifica que logo ficou sanada. Inicialmente os restantes adeptos do Aves não tinham qualquer consideração, mas felizmente nos dias que correm têm noção que somos aqueles que estamos sempre em todo o lado e que estamos lá a fazer um papel necessário. Passamos na mesma aos olhos de muita gente por sermos todos um bando de bêbedos, drogados e arruaceiros, mas a nós dá-nos igual.

Enquanto ultra quais os momentos que destacas? Quais os jogos que deram “mais pica” e outras situações que te marcaram… quer pela positiva quer pela negativa…
Destaco obviamente a última subida e a última descida por razões óbvias, onde no espaço de um ano chorei de alegria e tristeza, são experiências únicas para quem vive um clube pequeno como o Aves. Os jogos nos últimos anos que são mais quentinhos é quando nos encontramos com o Moreirense, fica a escassos 5km e existe aquela rivalidade de vizinhos, infelizmente há já alguns anos que não apanhamos o Tirsense.

Qual o teu significado da palavra ultra? Quando entras-te para a Força Avense já tinhas uma noção do que era realmente o movimento ultra?
Para mim ser ultra significa fazer tudo o que está ao meu alcance e o que não está, para poder estar presente onde o meu Aves estiver e dar-lhe o apoio que ele necessita. Não tinha a noção que tenho actualmente, apoiava por carolice, porque era assim que me sentia bem num estádio.

user posted image

Ao longo dos anos vão surgindo amizades e rivalidades entre grupos, quais os grupos/clubes com os quais têm amizade ou rivalidade? Como surgiram essas “relações”?
Já temos uma amizade há já algum tempo com os UAN do Beira-Mar e com os Ultras Ermesinde. A nível de inimizades, temos desde sempre com o Tirsense e Moreirense por razões de proximidade e com o Penafiel desde meados da década de 80 devido a problemas que se registaram em Penafiel, de onde resultou um ferido por esfaqueamento afecto ao Aves, mas esta é uma rivalidade intermitente, há épocas em que se denota mais que em outras, ao contrário das outras que são constantes.

Já alguma pensaste deixar o teu grupo? Deixar de apoiar o Aves…
Nunca me passou pela cabeça deixar o meu grupo nem de deixar de apoiar o Aves, posso é eventualmente por razões de força maior tornar-me um elemento menos activo e não tão presente, mas nunca equacionei deixar aquele sector, não sei estar no futebol de outra forma.

Quais os grupos portugueses que mais admiras, os melhores actualmente… e porque?
Admiro alguns e sempre pelas mesmas razões, fidelidade e mentalidade. Isto aliado a uma mobilização constante ainda que por vezes em números mais reduzidos. Os grupos de Alvalade têm demonstrado nos últimos anos tudo isto (só pecam por não estarem todos no mesmo sector como outrora), bem como os Panteras Negras e South Side. Os adeptos do Vitória no geral são de uma outra mentalidade, e admiro também a Mancha Negra.

Antigamente era habitual ter-se um grupo estrangeiro em que nos inspirávamos, andávamos com o cachecol desse grupo… ao inicio qual admiravas? E agora quais consideras os melhores a nível europeu?
O primeiro grupo estrangeiro que me cativou mais foi os ultras do Sankt Pauli, não só pela curva mas pelas suas ideologias e filosofia. Não há comparação para os ultras italianos, aquela forma de ver o futebol já é uma cultura, não interessa a idade, o sexo nem as ideologias, eles nascem já com aquele bichinho ultra. Aprecio imenso também os grupos alemães, e mais recentemente os polacos. Existem igualmente muitas boas curvas por essa Europa fora, mas no geral são os movimentos mais fortes actualmente. Pessoalmente gosto da Curva Nord Atalanta, e dos Ultras Sankt Pauli.




Para ti quais os grandes males que estragaram o futebol? Quais as razões para ver-mos cada vez menos adeptos nos estádios?
O mal maior é a televisão, sem sombra de dúvidas. Há dias em conversa com um companheiro de curva já uns anos mais velho que eu, abordamos esse assunto e a conclusão dele é que quando ele tinha a minha idade só via um ou dois jogos no máximo na tv ao fim de semana, e agora vê 9(!), e isto só a contar com a primeira e segunda divisão portuguesa. Claro que há menos dinheiro e menos poder de compra, mas antigamente as pessoas acabavam por ser puxadas para ir ao estádio se quisessem ver sempre a sua equipa a jogar. Nas Aves já houve mais gente a ir ao estádio, mas não acho que me possa queixar das assistências, sempre a rondar entre os 1000 e os 1500. Há casos bem piores no nosso futebol.

Na tua opinião existe uma ligação entre os problemas do nosso país e os aspectos negativos que se vêm nas claques nacionais?
Nos grupos existirão sempre elementos que só pensam em destruição e problemas, independentemente dos problemas externos ao futebol, o que se verifica hoje em dia, é que há menos tolerância por parte de mais pessoas ligadas às claques, e aqui sim devido ao que batalham durante a semana para sobreviverem neste país.

Qual é tua postura e a do teu grupo quanto à legalização?
Nenhuma, não é nem nunca foi tema de conversa. Somos o que somos e assim continuaremos.

Que opinião tens sobre o actual estado do movimento português? Acreditas por exemplo ser possível uma manifestação em conjunto? O teu grupo estaria disponível?
Não posso considerar que o nosso movimento esteja fraco, ao contrário do que muitos dizem. O que acontece é que já houve mais curvas e um pouco mais de gente nas mesmas, mas no final de contas restaram os bons. Actualmente a percepção do nosso movimento estar mais fraco é simples, antigamente por exemplo, equipas como o Beira-Mar, Académica, Leiria, Boavista e outros jogavam em estádios com capacidade para 10000 pessoas e agora jogam em estádios muito maiores, dando a ideia de que parecem estar praticamente vazios. No geral acho que nos podemos orgulhar e bem do que temos, em comparação com países bem maiores que nós, seja na economia ou na população. Isso de haver uma manifestação em Portugal é impossível, não há mentalidade para isso, a ideia morre logo á nascença, até porque dois dos maiores grupos portugueses e imprescindíveis para uma acção destas não se iriam fazer representar, um porque não existe, e outro porque é uma empresa e não uma claque. Mas no nosso caso, estaríamos disponíveis.


user posted image

Na tua opinião qual será a melhor forma de combater o futebol moderno(repressão, preços dos bilhetes, horários dos jogos etc...)?

Todos os parâmetros que indicas contribuem para que em Portugal cada vez o futebol seja menos para os adeptos. Está tudo mal, não há cativação de público para os estádios, os horários são conforme a necessidade das televisões, os preços estão ao nível de uma Bundesliga e então a repressão existente é de bradar aos céus. Mas bastava começar a passar apenas na TV dois jogos por jornada como se via logo um acréscimo de público, é sem dúvida o principal causador dos estádios às moscas.

Qual a tua opinião sobre o movimento ultra em Guimarães?
O movimento em Guimarães é sem sombra de dúvidas dos melhores que há em Portugal, só peca por ainda não estarem todos os grupos na mesma bancada. Nos últimos tempos tem-se assistido a uma diminuição de adeptos “normais” nas deslocações, mas os ultras tem-se mantido fiéis e sempre em bom número. Na minha opinião, tendo em conta o número e qualidade dos elementos deveriam dispor-se a fazerem mais coreografias por época.

O que pensas do movimento casual?
Não tenho uma opinião muito formada sobre este tipo de movimento. Tem tendência para existir mais em clubes de grande dimensão onde muitos se querem ver alheados da marcação que existe sobre as claques. Cada um sabe de si, não critico mas também não me revejo nesta forma de estar.

Que opiniões tens sobre estes espaços na internet? Blogues, fóruns... São necessários?
Obviamente que não são necessários, nunca o foram e na maioria dos casos este meio de informação é utilizado de forma errada quanto á divulgação do movimento. Acho-os interessantes, na medida em que me possibilitam ter uma ideia de como funcionam as coisas lá por fora, no nosso burgo prefiro presenciar os jogos, tem-se uma ideia muito mais clara das coisas. Nos inícios era aliciante irmos a um estádio de um clube pela primeira vez, não sabíamos como era sequer o estádio, muitas vezes nem se sabia da existência sequer de alguns grupos, era tudo muito menos previsível.

Desejas acrescentar algo mais? Deixar alguma mensagem para os ultras portugueses?
Ser de um grande é muito fácil, ser de um clube ganhador ainda mais fácil é. Uma palavra de força para todos aqueles grupos que acompanham os seus clubes, e que têm muitas mais tristezas que alegrias, e uma palavra de apreço àqueles que ganham mas quando tombam continuam lá.